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Posts Tagged ‘Entrevistas’

Em tempos bicudos (agressão de TO a jogadores, emboscada a ônibus do Palmeiras), vamos falar de assuntos mais amenos. Copio aqui da Revista do Palmeiras uma entrevista de Etelvina (Lili) Cervo, filha de Luigi Cervo, um dos fundadores do Palestra Italia.


Revista – Como era o seu pai, Luigi Cervo?
Lili – Meu pai era um homem muito austero e trabalhador. Amava o Palestra. Era um grande
orador e escrevia muito bem. Ele nasceu na Calábria, veio para o Brasil ainda garoto e morou parte da vida na região da Vila Mariana. Como perdeu o pai ainda adolescente, começou a trabalhar muito cedo, na Indústria Matarazzo. Trabalhou quase 35 anos lá, onde conheceu o Marzo (Luigi Emanuelle Marzo, um dos fundadores do Palestra Itália). Trabalhou também
com o Giuliano (Ernesto Giuliano, pai de Paschoal Giuliano, ex-presidente do Palmeiras), entre outros. Ele era muito próximo ao Conde. Papai nunca quis ser presidente. Ele sempre preferiu ajudar, dar conselhos, enfim, nunca teve apego ou interesse em ser presidente do clube que tanto amava.


Revista – O que ele lhe contava a respeito da fundação do Palestra?
Lili – Eles decidiram fundar o Palestra Itália pois não havia um grande clube da colônia italiana em São Paulo naquela época. O Palestra nasceu na Matarazzo, fruto de uma iniciativa de parte de seus funcionários. Não tem nada a ver essa história de que o Palestra é dissidência do Corinthians, não sei de onde tiraram isso. Nunca teve nada a ver com o Corinthians. Foi uma iniciativa de papai e seus colegas que tomou corpo e virou realidade. É muito claro isso: o Palestra nasceu na Matarazzo e, quando os italianos vieram excursionar em São Paulo [nota: o Torino e a Pró-Vercelli, em 1914], a ideia de fundar o clube finalmente foi posta em prática. Eles já pensavam assim antes, já tinham até feito um esboço de uma ata na casa da Major Maragliano. Essa ata
oficial que existe hoje, da fundação oficial, é que entrou para a história, mas papai dizia que o primeiro esboço tinha sido feito num campo de várzea que tinha perto de casa.


Revista – Quais as suas recordações a respeito do Palmeiras?
Lili – Quando eu era criança, me lembro dos jogadores indo lá em casa. Naquela época tudo era mais simples, não tinha essa estrutura que tem hoje. Eles [os jogadores] iam almoçar lá em
casa, me lembro de muitas vezes vê-los por lá. Eu sempre admirei o Oberdan. Ele foi um galã na época, um grande goleiro e um grande palestrino. Também gosto muito do Marcos, sou fã dele, nunca abandonou o clube, mesmo nos momentos difíceis. Acho que nós, torcedores,
sempre temos que apoiar os jogadores. Não gosto quando eles são vaiados, a torcida tem que ter paciência, pois estão dando o seu melhor.


Revista – Qual foi a reação do seu pai quando da mudança de nome de Palestra para Palmeiras?
Lili – Papai ficou triste quando mudaram o nome de Palestra para Palmeiras. Ele não se conformava que as pessoas não entendiam que Palestra não era uma palavra italiana (palavra de origem grega). Tinha muita perseguição naquela época da guerra. Meu irmão teve até de mudar
de nome, de Domenico para Domingos, porque não podia mais ter nomes com alusão à Itália. Foram tempos difíceis e papai ficou muito magoado com isso. Até vá lá que tirassem o “Itália” do nome do clube, porque naquela época não podia, mas tirar “Palestra” foi um exagero.


Luigi Cervo, pai de Lili e um dos fundadores do Palestra Italia

Luigi Cervo, pai de Lili e um dos fundadores do Palestra Italia

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