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Posts Tagged ‘Morte ao futebol moderno’

Sou do tempo do verdadeiro futebol, onde tudo se resolvia dentro das 4 linhas. Os tribunais, se existiam, não eram mais notícia que jogadores. Os jornalistas vestais não usavam o manto do politicamente correto. Os jogadores estavam mais preocupados com o futebol e menos com o business.

Ontem, através do Twitter do @SeoCruz, pude ler um excelente texto sobre a violência dentro dos gramados. Na verdade o autor pede a volta da porrada nos gramados – Pelo fim do fair play: quero porrada nos gramados.

Qual palmeirense não se sentiu melhor com a eliminação do Paulista depois que Diego Souza aplicou uma rasteira no zagueiro santista, que entrou a mando do técnico Mancini, somente para tirar o melhor jogador do Palmeiras ? Aquela chinela (e o zagueiro batendo a nuca no chão) lavou minha alma, mesmo o time perdendo a chance de ir as finais do torneio. E a imprensa, sempre hipócrita, tratou somente da atitude de Diego Souza, que fez aquilo após ser provocado. A atitude dos zagueiro e técnico adversários não mereceram muito destaque entre os profissionais “especializados”.

Da mesma forma, fiquei de alma lavada quando houve uma briga generalizada contra os gambás, onde Edílson fez as embaixadinhas. Até nosso Santo correu atrás do goleiro adversário, que despencou na boca do vestiário.

Ou o inverso, quando Eric Cantona não gostou de ser xingado por um torcedor, deu-lhe uma voadora ali mesmo na arquibancada, no meio da fuça do sujeito.

Enfim, não quero fazer apologia à violência, somente concordo com o tudo o que o texto citado afirma. Porrada sempre fez parte do jogo. E não me venham os puristas com esse discursinho de que as brigas maculam a imagem do futebol.


“A violência nas arquibancadas cresceu na medida oposta ao afrescalhamento do jogo nas quatro linhas.”.

“Jogo de futebol não é espetáculo de ópera ou coisa parecida. É drama, epopéia, catarse coletiva e o escambau. Arquibancada é o melhor divã do mundo.”

“Sou, por isso, a favor de uma campanha contra o fair play da dona FIFA. Acho que precisamos incentivar a volta do conflito generalizado em campo – melhor estratégia para acalmar as coisas na arquibancada.”

Assino embaixo.

Fair play é o cazzo !


Não assista o vídeo abaixo se você for fã de Kakazinho:


As 5 maiores brigas do Palmeiras:


Você acha o futebol violento ? Não gostou dos vídeos ? Então seu esporte é esse.

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Se você ficou indignado porque a TV mudou o jogo do Palmeiras contra o Cruzeiro sem dar nenhuma satisfação, se acha o cúmulo do desrespeito os horários das partidas começando cada vez mais tarde e fica indignado com o tratamento dado aos torcedores pela mídia em geral chamando-os de bandidos, relaxe torcedor, saiba que o futebol tem dono. E aos olhos dos donos, você é só mais um impecilho.

Bem vindo ao futebol moderno

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Leia abaixo um trecho do livro “Futebol ao sol e à sombra“, do escritor uruguaio Eduardo Galeano.


“Hoje em dia, o estádio é um gigantesco estúdio de televisão. Joga-se para a televisão, que oferece a partida em casa. E a televisão manda.

No Mundial de 86, Valdano, Maradona e outros jogadores protestaram porque as principais partidas eram disputadas ao meio-dia, debaixo de um sol que fritava tudo que tocava. O meio-dia do México, anoitecer da Europa, era o horário que convinha à televisão européia. O arqueiro alemão Harald Schumacher, contou o que acontecia:

– Suo. Tenho a garganta seca. A grama está como a merda seca: dura, estranha, hostil. O sol cai a pique sobre o estádio e explode sobre nossas cabeças. Não projetamos sombras. Dizem que isto é bom para a televisão.

A venda do espetáculo importava mais do que a qualidade do jogo ? Os jogadores existem para chutar, não para sapatear; e Havelange pôs ponto final no aborrecido assunto:

– Que calem a boca e joguem – sentenciou.

Quem dirigiu o Mundial de 86 ? A Federação Mexicana de Futebol ? Não, por favor, chega de intermediários: quem dirigiu foi Guillermo Cañedo, vice-presidente da Televisa e presidente  da rede internacional da empresa. Foi o Mundial da Televisa, o monopólio privado que é dono do tempo livre dos mexicanos e também dono do futebol do México. E nada era mais importante que o dinheiro que a Televisa podia receber, junto com a FIFA, pelas transmissões aos mercados europeus. Quando um jornalista mexicano cometeu a insolência de perguntar pelos gastos e lucros do Mundial, Cañedo cortou-o secamente:

– Esta é uma empresa privada que não tem porque prestar contas a ninguém.

Terminado o Mundial, Cañedo continuou sendo cortesão de Havelange, numa das vice-presidências da FIFA, outra empresa privada que tampouco presta contas a alguém.

A Televisa não apenas tem em suas mãos as transmissões nacionais e internacionais do futebol mexicano, possui além disso três dos clubes da primeira divisão: a empresa é dona do América CF, o mais poderoso, do Necaxa e do Atlante.

Em 1990, a Televisa fez uma feroz exibição de seu poder sobre o futebol mexicano. Naquele ano, o presidente do clube Puebla, Emilio Maurer, teve uma idéia mortal: ocorreu-lhe que a Televisa bem que podia desembolsar mais dinheiro por seus direitos exclusivos de transmissão das partidas. A iniciativa de Maurer teve boa repercussão em alguns dirigentes da Federação Mexicana de Futebol. Afinal, o monopólio pagava pouco mais de mil dólares (US$ 1.000,00) a cada time, enquanto ganhava fortunas vendendo os espaços de publicidade.

A Televisa mostrou, então, quem manda. Maurer sofreu um bombardeio implacável: de repente descobriu que seus negócios e sua casa tinham sido embargados por dívidas, foi ameaçado, foi assaltado, foi declarado fora da lei e lançou-se contra ele uma ordem de prisão. Além disso, o estádio de seu time, o Puebla, um belo dia amanheceu fechado, sem aviso prévio. Mas os métodos mafiosos não bastaram para derrubá-lo do cavalo, de modo que não houve outra solução senão mandar Maurer para a prisão e varrê-lo do time rebelde e da Federação Mexicana de Futebol, junto com todos os seus aliados.

Em todo o mundo, por meio diretos ou indiretos, a televisão decide onde, quando e como se joga. O futebol se vendeu à telinha de corpo, alma e roupa. Os jogadores são, agora, astros da televisão. Quem concorre com seus espetáculos ? O programa que teve mais audiência na França e na Itália em 1993 foi a final da Copa européia dos campeões, disputada pelo Olympique de Marselha e pelo Milan. O Milan, como se sabe, pertence a Silvio Berlusconi, o czar da televisão italiana. Bernard Tapie não era o dono da televisão francesa, mas seu time, O Olympique, tinha recebido da telinha, em 1993, trezentas vezes mais dinheiro do que em 1980. Razões não lhe faltavam para ter-lhe carinho.

Agora milhões de pessoas podem ver as partidas, e não apenas as milhares que cabem nos estádios. Os torcedores se multiplicaram e se transformaram em possíveis consumidores que qualquer coisa que os manipuladores de imagens queiram vender. Mas, diferente do beisebol e do basquetebol, o futebol é um jogo contínuo, que não oferece muitas interrupções úteis para fazer publicidade. Um intervalo só não é suficiente. A televisão norte-americana propôs corrigir esse defeito desagradável dividindo as partidas em quatro tempos de vinte e cinco minutos, e Havelange está de acordo.”


* Foto copiada do Cruz de Savóia.

* Morte ao futebol moderno.


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